Perguntas frequentes

Ao longo de décadas de atuação no trabalho de apoio a cuidadores familiares, a ABRAz realizou milhares de reuniões de Grupos de Apoio e atendimentos telefônicos pelo serviço Fale Conosco ou em plantões especiais em datas comemorativas. Dessa extensa experiência com o público foram retiradas as perguntas mais frequentes de cuidadores e familiares de doentes de Alzheimer. Todas as questões foram respondidas e estão agrupadas por tema.

Sobre o tratamento

Qual o tratamento normalmente indicado para o paciente com Doença de Alzheimer?

O tratamento da DA engloba cuidados farmacológicos e não farmacológicos. Os medicamentos devem ser administrados conforme a prescrição do médico ou da equipe responsável.

Sempre que possível, o tratamento do paciente com DA deve ser interdisciplinar, envolvendo diferentes profissionais, como psicólogos, terapeutas ocupacionais, fonoaudiólogos, sempre com o objetivo de retardar o avanço da doença e de melhorar a qualidade de vida do paciente, da família e do cuidador. Lembre-se que nada substitui o apoio familiar, a atenção e o carinho.

O que é tratamento não medicamentoso?

Consiste em estratégias que não envolvam remédios para ajudar a aliviar os sintomas e tentar retardar a progressão da doença, além de deixar o paciente mais ativo, como:

  • Estimulação cognitiva – uso de funções preservadas a partir de atividades práticas e de exercícios mentais que favoreçam o raciocínio.
  • Estimulação social – convívio com outras pessoas, passeios, grupos de discussão.
  • Estimulação física – fisioterapia, atividade física orientada, programa com educador físico.
  • Organização de rotina e ambiente – medidas de segurança domiciliar, organização e distribuição criteriosa de atividades.

Dúvidas do cuidador

Por que interditar juridicamente a pessoa com Doença de Alzheimer?

Com a evolução da Doença de Alzheimer, ocorre uma redução da capacidade de discernimento. O doente passa a não avaliar com precisão as consequências de seus atos. A pessoa pode não manifestar sua vontade ou não desenvolver raciocínio lógico, por causa das alterações cognitivas. Outra possibilidade é a perda de capacidade de comunicação, impossibilitando que as pessoas o compreendam. Nessas circunstâncias, e a partir de rigorosa avaliação, o doente pode ser considerado civilmente incapaz, por Lei.

A interdição serve como medida de proteção para preservar o paciente de determinados riscos que envolvem a prática de certos atos, como o de evitar que pessoas “experientes” aproveitem-se da deficiência de discernimento do paciente para efetuar manobras desleais causando diversos prejuízos, especialmente, de ordem patrimonial e moral. Podemos citar, como exemplo, a venda de um imóvel, de um veículo, retirada de dinheiro do banco, emissão de cheques, entre outros.

A interdição declara a incapacidade do paciente, que não mais poderá praticar ou exercer pessoalmente determinados atos da vida civil, necessitando, para tanto, ser representado por outra pessoa. Esse representante, que em geral é uma pessoa da família, é chamado de curador.

Tenho um familiar com a Doença de Alzheimer. Será preciso fazer tudo por ele a partir de agora?

É recomendável permitir que o paciente faça as coisas que ele ainda consegue fazer e que lhe proporcionem prazer, considerando sempre a sua segurança, ou seja, que ele não correrá riscos ao executar tal tarefa. Por exemplo, um paciente que gosta de cozinhar, muitas vezes pode não ter mais a capacidade de planejar a tarefa e talvez corra alguns riscos em decorrência da perda de memória e de orientação. Porém, na medida do possível, é interessante que ele participe dessa atividade. A maneira correta é o paciente executar a tarefa com supervisão de outra pessoa, para que não se corte, não se queime, nem deixe o fogo aceso.

O cuidador (supervisor), nesse caso, poderá auxiliar, orientando a ordem de fazer as tarefas e em qualquer outra dificuldade. É importante ressaltar que o paciente que antes podia executar essa tarefa com muita facilidade, após a instalação da DA, pode encontrar dificuldades em realizá-la. Então, o acompanhante deverá ter muita paciência e disposição para colaborar.

Outro ponto importante é não chamar a atenção do paciente para os seus erros e incapacidades, pois isso pode gerar frustração e, em muitos casos, faz com que ele desista de realizar atividades, ficando desanimado e se isolando.

Considerando esses pontos, haverá grande benefício para a pessoa com Doença de Alzheimer em executar tarefas consideradas fáceis para aquele estágio da doença que podem render um bom desempenho, favorecendo a autoestima do paciente. Quanto mais estímulo o paciente tiver, melhor. 

Assim, o cérebro dele estará sendo ativado.

O que fazer quando o paciente fica, subitamente, agressivo?

A primeira atitude é tentar identificar, no ambiente, fatores que possam ser responsáveis pela agressividade, para evitá-los. As situações que podem favorecer a agressividade são: ruídos excessivos, ambientes agitados e confrontos com a incapacidade do doente. Quando os fatores não forem identificados, a melhor maneira é ter postura de tranquilidade. Dar respostas que expressem nervosismo pode intensificar a agressividade. Cabe lembrar que alterações súbitas de comportamento podem estar associadas a quadros de infecção, desidratação ou intestino preso. Nesses casos, é necessário informar à equipe de saúde para fazer uma investigação e tomar providências.

Páginas