Perguntas frequentes

Ao longo de décadas de atuação no trabalho de apoio a cuidadores familiares, a ABRAz realizou milhares de reuniões de Grupos de Apoio e atendimentos telefônicos pelo serviço Fale Conosco ou em plantões especiais em datas comemorativas. Dessa extensa experiência com o público foram retiradas as perguntas mais frequentes de cuidadores e familiares de doentes de Alzheimer. Todas as questões foram respondidas e estão agrupadas por tema.

Dúvidas do cuidador

Uma pessoa próxima a mim recebeu um diagnóstico de demência. O que devo fazer?

O momento de impacto de diagnóstico é um período delicado. Muitos parentes e amigos relatam que ficam desorientados, com muito medo, dúvidas e preocupações. A família tende a se desestabilizar, pois passa a sofrer uma mudança impactante com perspectivas, inicialmente, assustadoras. Buscar informações sobre a doença é muito importante. Trocar experiências com pessoas que também têm familiares com Alzheimer tem demonstrado ser uma ferramenta muito útil, pois mostra que existem alternativas para adaptações. Procure um Grupo de Apoio próximo à sua residência e tire suas dúvidas pelo telefone Faleconosco 0800 55 1906 ou em nossa página do Facebook. Você não está sozinho! Conte com a ABRAz.

Por que interditar juridicamente a pessoa com Doença de Alzheimer?

Com a evolução da Doença de Alzheimer, ocorre uma redução da capacidade de discernimento. O doente passa a não avaliar com precisão as consequências de seus atos. A pessoa pode não manifestar sua vontade ou não desenvolver raciocínio lógico, por causa das alterações cognitivas. Outra possibilidade é a perda de capacidade de comunicação, impossibilitando que as pessoas o compreendam. Nessas circunstâncias, e a partir de rigorosa avaliação, o doente pode ser considerado civilmente incapaz, por Lei.

A interdição serve como medida de proteção para preservar o paciente de determinados riscos que envolvem a prática de certos atos, como o de evitar que pessoas “experientes” aproveitem-se da deficiência de discernimento do paciente para efetuar manobras desleais causando diversos prejuízos, especialmente, de ordem patrimonial e moral. Podemos citar, como exemplo, a venda de um imóvel, de um veículo, retirada de dinheiro do banco, emissão de cheques, entre outros.

A interdição declara a incapacidade do paciente, que não mais poderá praticar ou exercer pessoalmente determinados atos da vida civil, necessitando, para tanto, ser representado por outra pessoa. Esse representante, que em geral é uma pessoa da família, é chamado de curador.

Tenho um familiar com a Doença de Alzheimer. Será preciso fazer tudo por ele a partir de agora?

É recomendável permitir que o paciente faça as coisas que ele ainda consegue fazer e que lhe proporcionem prazer, considerando sempre a sua segurança, ou seja, que ele não correrá riscos ao executar tal tarefa. Por exemplo, um paciente que gosta de cozinhar, muitas vezes pode não ter mais a capacidade de planejar a tarefa e talvez corra alguns riscos em decorrência da perda de memória e de orientação. Porém, na medida do possível, é interessante que ele participe dessa atividade. A maneira correta é o paciente executar a tarefa com supervisão de outra pessoa, para que não se corte, não se queime, nem deixe o fogo aceso.

O cuidador (supervisor), nesse caso, poderá auxiliar, orientando a ordem de fazer as tarefas e em qualquer outra dificuldade. É importante ressaltar que o paciente que antes podia executar essa tarefa com muita facilidade, após a instalação da DA, pode encontrar dificuldades em realizá-la. Então, o acompanhante deverá ter muita paciência e disposição para colaborar.

Outro ponto importante é não chamar a atenção do paciente para os seus erros e incapacidades, pois isso pode gerar frustração e, em muitos casos, faz com que ele desista de realizar atividades, ficando desanimado e se isolando.

Considerando esses pontos, haverá grande benefício para a pessoa com Doença de Alzheimer em executar tarefas consideradas fáceis para aquele estágio da doença que podem render um bom desempenho, favorecendo a autoestima do paciente. Quanto mais estímulo o paciente tiver, melhor. 

Assim, o cérebro dele estará sendo ativado.

O que fazer quando o paciente fica, subitamente, agressivo?

A primeira atitude é tentar identificar, no ambiente, fatores que possam ser responsáveis pela agressividade, para evitá-los. As situações que podem favorecer a agressividade são: ruídos excessivos, ambientes agitados e confrontos com a incapacidade do doente. Quando os fatores não forem identificados, a melhor maneira é ter postura de tranquilidade. Dar respostas que expressem nervosismo pode intensificar a agressividade. Cabe lembrar que alterações súbitas de comportamento podem estar associadas a quadros de infecção, desidratação ou intestino preso. Nesses casos, é necessário informar à equipe de saúde para fazer uma investigação e tomar providências.

É verdade que não se pode contrariar a pessoa com DA?

Não. Embora seja importante promover a autonomia do paciente, a garantia de segurança é fundamental. Por isso, caberá ao cuidador tomar as decisões com sensatez. Quando o paciente fizer escolhas perigosas que ponham em risco sua segurança física, financeira, de saúde (alimentação e tratamento), ou ainda sua integridade moral, a família deve cuidar e selecionar, com bom senso, ações permitidas, eliminando solicitações inviáveis e temerosas.

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