Amor, carinho e compreensão

Familiar-cuidador
São José dos Pinhais – PR

Em 2003, minha mãe foi levada ao hospital com suspeita de derrame, mas nada de grave havia ocorrido. Posteriormente, na véspera da Páscoa, ela me perguntou: "Quem é você?". Depois, perguntou quem era o homem que estava na cozinha. Pensei que ela estava brincando, não reconhecia a mim nem a meu pai. Ela disse que não se lembrava de nada. Procuramos um neurologista e, após exames, veio o diagnóstico de Alzheimer. Nunca tinha ouvido falar dessa doença.

Entrei em depressão forte, pedi afastamento do trabalho por um período. Procurei um psiquiatra. Logo voltei ao trabalho e consegui me manter na faculdade. Meus amigos do trabalho e da faculdade me apoiaram o tempo todo. Rezei para Deus me ajudar a sair da depressão, ficar bem para cuidar da minha mãe. Minha mãe ainda conseguia ficar sozinha durante o dia em casa e meu pai estava lá à noite, e consegui concluir a faculdade.

Em 2005, tive o privilégio de poder levar minha mãe à minha formatura e de compartilharmos essa vitória. Nesse mesmo ano, ela começou a apresentar mais dificuldades para executar as tarefas. Cinco pessoas passaram por minha casa, mas não estavam preparadas para lidar com a situação. Finalmente, encontrei alguém.

No início, a cuidadora enfrentou minha mãe brava, às vezes agressiva. Ela fugia de casa, falava que estava sendo roubada. Aos poucos, a cuidadora foi conquistando a confiança da minha mãe. Hoje, são como mãe e filha, e posso ir ao trabalho despreocupada. O começo foi muito difícil. Apesar do sofrimento, nosso vínculo amoroso está forte. Nunca havia dito à minha mãe o quanto ela era importante na minha vida. Hoje, digo a todo momento que a amo; eu a beijo sempre que saio de casa e quando chego. Aprendi a manter a calma, não brigar nem gritar com ela, e a repetir mil vezes a mesma coisa, se for necessário, com a mesma alegria da primeira vez.

Estava lendo o livro Você não está sozinho... (ABRAz) e aprendi várias coisas sobre a Doença de Alzheimer, os sintomas e a importância do envolvimento dos familiares para não sobrecarregar apenas uma pessoa. Eu e a cuidadora fazemos tudo. Todas as despesas da casa ficaram sob minha responsabilidade. Às vezes me pergunto se vou dar conta de tudo e me organizo para isso.

Tenho um irmão casado, com dois filhos, que me ajuda levando minha mãe ao médico e na compra de medicamentos, mas não é uma ajuda espontânea. Tenho acompanhamento de uma psicóloga que me dá suporte, especialmente, com a doença da minha mãe. Tenho muito medo de perdê-la e ficar sozinha no mundo. Tive de abrir mão de muita coisa em minha vida, como sair, namorar e viajar. Vivo em função da minha mãe, trabalho e faço pós-graduação para manter meu emprego.

Escrevo a vocês para contar um pouco da nossa história e dizer que com amor, carinho e compreensão o doente de Alzheimer pode viver melhor, junto das pessoas que ama. O início é complicado, não sabemos como agir. Aos poucos, com informação e ajuda de especialista, medicação certa, as coisas vão se adequando e ficando mais calmas.

Muito obrigado pela atenção e que Deus continue ajudando vocês que são nossos anjos da guarda.