O livro mais útil que li até hoje

Familiar-cuidador

Minha mãe sempre foi uma mulher muito ativa, fazia três coisas ao mesmo tempo: fazia tricô, bordava, ajudava minha avó a fazer cortinas, toalhas, enfim, muito prendada, uma dona de casa exemplar.

Sempre notamos que ela tinha uma facilidade para pequenos esquecimentos, mas como era muito ativa (elétrica), ela dava um jeito e esses esquecimentos pareciam fazer parte de sua personalidade.

No dia da primeira eucaristia de um neto, encontramos com sua afilhada, que não víamos há muito tempo. Minha mãe não a reconheceu e ficou muito nervosa com isso, pois ela dizia que era impossível que isso acontecesse.

Passei a observar mais e notei que isso se repetiu algumas vezes com outras pessoas. Ao mesmo tempo, ela entrou em depressão. Procuramos seu médico de confiança (clínico geral), que solicitou alguns exames e nada constatou. Ela passou a fazer uso de alguma medicação para depressão, sem melhora.

Nessa época, vi uma reportagem sobre a Doença de Alzheimer numa revista e fiquei muito assustada, pois eu reconheci alguns dos sintomas em minha mãe.

Não querendo acreditar muito, comentei com o médico dela, que me disse não haver motivos para pensar nisso. Ela era sua paciente há muitos anos e nunca havia apresentado sintoma algum que chamasse sua atenção.

Como não me convenci, ele resolveu encaminhá-la a um neurologista, mas apenas para que ficássemos tranquilos. O médico então nos disse que ela tinha muitas chances de estar com Alzheimer.

Ficamos assustados, mas, ao mesmo tempo, iniciamos um estudo para entender essa doença e o que poderíamos fazer para ajudá-la. Ela ainda cuidava da casa e de todos os afazeres.

Lendo uma revista em um consultório, vi uma pequena reportagem sobre a ABRAz, com o telefone da Associação. Resolvi telefonar, embora nem soubesse o que perguntar. Fui atendida com tanto carinho pela Vera, que ficamos um bom tempo ao telefone. Fiquei sabendo por seu intermédio que havia um livro, Você não está sozinho, que poderíamos adquirir e que nos esclareceria muito, ajudando-nos com muitas dicas.

Foi o livro mais útil que li até hoje. Consegui entender melhor a DA e orientar meu pai a respeito de muitas atitudes a serem tomadas de imediato, mesmo que estivesse em fase inicial. Teríamos de aproveitar o que havia de sua memória e começar a treiná-la para as fases seguintes.

A partir daí, começamos a viver um aprendizado constante com minha mãe. Tivemos que pesquisar, analisar e conversar muito com ela, para compreender o que se passa em sua mente.