Depoimentos de familiares-cuidadores

Aos Leitores,

A ABRAz recebe e publica depoimentos enviados por familiares-cuidadores que desejem compartilhar suas experiências. Devido a questões editoriais e ao limite de espaço para publicação, a equipe do site da ABRAz se reserva o direito de selecionar e editar o material enviado pelos leitores, podendo publicar uma ou mais partes, resumir, ou ainda alterar sua sintaxe, com o objetivo de assegurar maior clareza às informações.

Ao enviar um depoimento à ABRAz, por quaisquer canais, o remetente estará automaticamente assumindo a autoria do texto e autorizando a publicação do conteúdo na íntegra, em parte ou em forma reduzida. Estará ainda ciente de ser citado como autor, a menos que desautorize expressamente a citação de seu nome ou outras informações que identifiquem a ele próprio ou a pessoas mencionadas no depoimento como doentes, familiares e profissionais de saúde.

As mensagens devem ser enviadas com nome, endereço e telefone para o e-mail abraz@abraz.org.br ou por carta para o endereço da ABRAz Nacional:

ABRAz – Associação Brasileira de Alzheimer
Rua Frei Caneca, 915, cj. 3 – Cerqueira César
CEP: 01307-003
São Paulo - SP

As solicitações de informações devem ser feitas por e-mail ou pelo formulário de contato deste site.

Doença familiar / Repercussões do diagnóstico na família

Maria Lucia Castelo Branco*
Familiar-cuidador
João Pessoa – PB

A Doença de Alzheimer não atinge apenas o paciente; envolve toda a família, na sua complexidade, nas angústias geradas, nas dúvidas não esclarecidas. Mães, pais, filhos, netos, tios, sobrinhos, parentes e agregados do doente mergulham num processo imenso de aflição, tristeza, incompreensão, desconfiança, cobranças, críticas e todos os demais sentimentos negativos. 

Jandira Santos
Familiar-cuidador

Neste depoimento quero chamar a atenção para o cuidado que todo cuidador deve ter com sua própria saúde. Minha mãe, de 82 anos, tem Alzheimer há três anos. Leiga, achava que ela estava caducando e que era normal em sua idade. Com o avanço da doença, ela se achava vítima de roubo e acusava quem estava à sua frente, escondia objetos tirados do lixo, dizendo ser dela desde criança. Levei minha mãe a um neurologista que, com o diagnóstico errado, medicamentos fortes, como calmantes, passamos a viver como inimigas.

Manejo de sintomas/ Relacionamento com o paciente

Carmem e Angel
Familiar-cuidador

Minha mãe sempre foi uma mulher muito ativa. Resolvi encaminhá-la a um neurologista, mas apenas para que ficássemos tranquilos. O médico então nos disse que ela tinha muitas chances de estar com Alzheimer.

Zenaida Faveri
Familiar-cuidador
Florianopolis – SC

Ser cuidadora de doente de Alzheimer requer muitas habilidades. Quando aprendemos a nos identificar com os sentimentos da pessoa, passa a haver uma troca, até mesmo certa cumplicidade, mesmo faltando a comunicação verbal. Como cuidadora de minha mãe de 83 anos, com Alzheimer há cerca de oito anos e totalmente dependente há cinco anos, relato aqui parte de minha experiência sobre a fase atual.

Iara Primo Portugal*
Familiar-cuidador
Porto Alegre - RS

Tenho 73 anos e cuidei do meu marido durante seis anos. Seus problemas começaram aos 70 anos, relacionados à lembrança de fatos e datas e a dificuldades com o sono e a alimentação. Durante um ano, fizemos uma série de testes e, finalmente, a Doença de Alzheimer foi mencionada. O neurologista, ao nos contar o provável diagnóstico, nos preparou para o que viria e para que pudéssemos dar o melhor tratamento ao meu marido.

Negação da doença e suas repercussões

Sacha
Familiar
Rio de Janeiro - RJ

Infelizmente, a maioria dos familiares não aceita a doença e a discriminam. As pessoas ainda têm vergonha de ter um parente com Alzheimer. Essa situação aconteceu na minha família. Apesar de os meus irmãos terem formação universitária (psicóloga e engenheiro), eles não aceitaram a doença de nossa mãe e a deixaram de chamá-la para as reuniões de família, afastando-a dos netos. Dia dos Pais, das Mães, Natal e Ano Novo eram datas especiais para a nossa mãe, porque ela fazia questão de reunir a família, que acabou se distanciando por não aceitar sua doença.

Rosemari Girardi
Familiar-cuidador
Joinville – SC

Percebi alguma coisa errada com a minha avó materna. Eu já a havia levado ao geriatra, fizemos uma tomografia. O resultado apontou atrofia de cérebro que, aliado ao comportamento estranho, levou ao diagnóstico de Alzheimer. O geriatra sugeriu que eu participasse das reuniões da ABRAz e foi o que fiz e faço sempre que possível.

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