Por que fazer atividades com a pessoa diagnosticada com demência?

Levantar-se, escovar os dentes, alimentar-se, arrumar-se, locomover-se, trabalhar, fazer compras, conversar, manter vínculos diários e desenvolver o
lazer. Parece simples, não? Nunca paramos para refletir o quanto o “simples” é complexo no desempenho diário, pois toda ação exige vontade,
intencionalidade, planejamento e realização que são conduzidas com equilíbrio e maestria pelas funções cognitivas (atenção, memória, função executiva, etc.). Isto repercute de modo determinante nas diversas áreas ocupacionais, como o autocuidado, controle do ambiente, atividades de trabalho e as práticas de lazer, seja no contexto domiciliar, clínico, social e educacional da pessoa idosa.

A conquista da longevidade no cenário mundial, refletida no aumento da expectativa de vida, aumenta a importância dos fatores associados ao processo
de envelhecimento e ligados à capacidade funcional de quem envelhece. Sabemos que o envelhecer não é sinônimo de doença, por isso observamos
diferentes perfis de idosos, abrangendo os idosos saudáveis e os que apresentam alterações no estado de saúde, como o idoso diagnosticado com
demência. A demência impacta no cotidiano desse idoso, comprometendo de modo importante seu desempenho nas atividades instrumentais e nas atividades básicas da vida diária (AIVDs e AVDs); o que requer a necessidade de organização das suas atividades no cotidiano.

Diante da perspectiva das perdas e modificações associadas à evolução da demência, torna-se da maior relevância o fazer atividades com a pessoa
diagnosticada com demência, pois só assim poderemos manter, adaptar e criar estratégias para que esse idoso consiga realizar suas atividades do cotidiano e siga mantendo sua autonomia e independência pelo maior tempo possível; sem esquecermos que, de modo não menos importante, precisamos também orientar os cuidadores e familiares na manutenção e auxílio a estes idosos durante a realização de suas atividades diárias.

É importante que o nosso olhar para o idoso com demência vá além do diagnóstico da doença ou dos aspectos negativos evidenciados no cotidiano.
Devemos ter em mente que o benefício maior em manter o idoso com demência realizando suas atividades rotineiras refere-se à promoção do seu bem-estar – envolvendo aspectos físicos, emocionais e sociais – e à estimulação do seu senso de confiança, autoestima, potencial e participação ativa na sociedade.

Acesse o Grupo Viva Bem Uol: http://vivabemuol.abraz.org.br

Phelipe Cabral Franco Nobre
Terapeuta Ocupacional, graduado pela Universidade de Fortaleza – UNIFOR ;
Especialista em Gerontologia pela Universidade de Fortaleza – UNIFOR;
Especialista em Saúde da Pessoa Idosa pela Universidade Federal do Ceará –UFC;
Membro e Diretor de Divulgação da Associação Brasileira de Alzheimer –
ABRAz Nacional e Presidente da ABRAz – Regional Ceará.

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