Memórias de Natal

Os sentimentos mais nobres, simples e fundamentais da vida afloram ainda mais nesta época de Natal e Ano Novo. Por causa das memórias perdidas, pessoas com Alzheimer podem não mais entender o que está acontecendo, mas as sensações permanecem. A época é de relembrar, viver, abraçar e beijar mais, e deixar que outro sinta seu cheiro, seu toque e sua voz, que são próprios. Isso eles podem, talvez, nem mais reconhecer, mas irão sentir.
Também nesta época, a visita deve ser certa. Os olhinhos vibram ao ver e sentir quem há algum tempo não se faz presente. A temporalidade se perde, mas a emoção da chegada não. Não sabemos quanto, mas o coração certamente vai bater diferente.

Em fases mais leves da doença, fale sobre o Natal, mostre fotos, peça para contar histórias e fatos que estimulem a memória. Mesmo em fases mais avançadas, insira o idoso na ceia de Natal sempre que possível, faça-o participar das músicas, decoração, orações. Respeite sempre os horários de sono, remédios e orientações de dieta. Trabalhemos o estigma para não deixá-los sem viver ou aproveitar qualquer situação, principalmente em épocas cheias de surpresas e estímulos interessantes.

Viva o hoje. Tente o hoje. Curta os sorrisos e até a mínima emoção. Ela é verdadeira. Pode ser uma felicidade momentânea, mas isso constroi o dia a dia e fundamenta nossa existência.

Boas festas e Feliz Ano Novo

Trabalhamos com carinho e temos a missão de ajudar a entender, viver e cuidar da pessoa com Doença de Alzheimer e suas famílias!

Dra. Carla Núbia Borges
Geriatra
Diretora Científica Nacional da ABRAz

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