Feliz ano-novo! Repleto de sensibilidade e compaixão!

Em 2019 nos empenhamos em aprimorar as estruturas responsáveis por promover e facilitar o encaminhamento de informações necessárias e fundamentais a cuidadores, familiares e pacientes com demência, principalmente a doença de Alzheimer. Além disso, nos dedicamos a produzir conteúdo aos profissionais atuantes na área auxiliando-os no diagnóstico precoce e tratamento desses distúrbios tão comuns e cada vez mais presentes em nossas vidas. E acreditamos ter colhido resultados acolhedores, demonstrando estarmos no caminho certo. Em pesquisa de satisfação a partir de uma amostra de participantes formada por cuidadores e profissionais realizada após o Congresso Brasileiro de Alzheimer em outubro deste ano, conduzido pela ABRAz, em parceria com a ABNPG, Associação Brasileira de Neuropsiquiatria Geriátrica, obtivemos alguns números muito expressivos. A nota média atribuída ao congresso por seus participantes foi de 8,75; sendo que 97,7% indicariam o evento para um amigo; chamou a atenção o fato de que 92% daqueles que responderam o questionário já terem tido conhecimento anterior da ABRAz. Ou seja, números que nos deixaram absolutamente satisfeitos e motivados, já encaminhando um novo congresso para 2021, ano do 30º aniversário da ABRAz. E, mais uma vez aproveitando a ocasião, destinaremos espaço no evento para mais palestras e discussões com atenção dirigida e centrada nos cuidadores e familiares.

Em relatório publicado em 2015 pela organização maior em demência no mundo, a Alzheimer´s Disease International, estimou-se que o número global anual de horas de cuidados informais prestadas às pessoas com demência que vivem em seus próprios domicílios foi de cerca de 82 bilhões de horas, correspondendo a 2.089 horas por ano ou 6 horas por dia. Isso é o equivalente a mais de 40 milhões de trabalhadores exercendo suas atividades em período integral no ano de 2015, um número que aumentará para 65 milhões em 2030. Principal alvo das ações da ABRAz, mas também de profissionais da saúde, poder público e privado, além da sociedade, devemos nos empenhar profundamente em atender, ouvir e respeitar os cuidadores.

Em 2020 seguiremos com nossa missão, nosso propósito, ampliando nossas ações e nosso alcance. Todos poderão continuar contando conosco! Estamos determinados a intensificar nossa colaboração, orientação e ajuda para que mais famílias tenham acesso à informação, consequentemente, melhor qualidade de vida. Em pesquisa mundial, a maior já realizada por abranger 70.000 pessoas em 155 países, foram obtidos alguns resultados impressionantes, demonstrando como a população está equivocada: 2 em cada 3 indivíduos acreditam que a demência seja um processo relacionado ao envelhecimento normal, sendo que 62% dos profissionais da saúde também pensam dessa maneira. Infelizmente, na mesma pesquisa foram descritos alguns depoimentos, como: “Meu neurologista ignora a minha presença quando o meu diagnóstico foi discutido com meu marido”; “Eles algumas vezes conversam com minha esposa sobre coisas como se eu não estivesse lá, mas eu estou sentado bem ao lado”; “Um neurologista me diagnosticou com Alzheimer aos 56 anos, posteriormente me disse para ir para casa e que eu colocasse meus assuntos finais em ordem, e que esperasse minha morte prematura”; “Muitos profissionais de saúde geralmente não acreditam que eu tenha demência – o que é abusivo e ofensivo. Mas também falam por cima mim, sobre mim e nunca comigo…”. Em relação a essas afirmações, torna-se necessário dizer que a ABRAz sempre se pautou por transmitir um conteúdo rigorosamente técnico, apresentando resultados de estudos realizados no Brasil e no exterior. Essa seriedade seguirá como marca da instituição, mesmo que deixe muitas pessoas contrariadas por haver descrições de grupos que pensem ou atuam de maneira diferente ou contraditória. Nosso conteúdo científico sempre foi e sempre será baseado em evidências, pesquisas e estudos adequadamente conduzidos seguindo às metodologias devidamente sacramentadas. Porém, acima de todas as questões técnicas e acadêmicas, a ABRAz se esforça e destina suas publicações, bem como tempo em eventos presenciais, a reforçar e enaltecer a importância das relações entre as pessoas, como entre o médico-paciente, mas igualmente qualquer relação entre profissional de saúde ou voluntário e paciente. Há a absoluta necessidade de todas as partes envolvidas desenvolverem maior sensibilidade.

A sensibilidade permite que você identifique situações prejudiciais ambientais e as procure resolver, crie situações prazerosas à família e entre amigos, se coloque no lugar de outro e cultive sua compaixão, aprimore sua empatia, encontre fatores estressores em si mesmo e nos que o cercam, e que tudo isso possa trazer momentos de alegria e felicidade. Dessa forma, temos razão, ciência e técnica de um lado, e sensibilidade, intuição e emoção do outro. Uma abordagem humanística é absolutamente imprescindível, e a evolução de todo relacionamento envolvendo pessoas com demência deve priorizar esse comportamento.

No próximo ano a ABRAz seguirá firme, mais forte e intensificará suas campanhas e seu posicionamento humanístico e centrado na relação entre as pessoas, associado a um conteúdo técnico-científico como a situação exige. Queremos disseminar por todos os meios possíveis esses conceitos, base fundamental do acompanhamento e tratamento das pessoas com a doença de Alzheimer e demais formas de demência. Para tanto, contamos com o seu apoio e engajamento, pois todos somos responsáveis e protagonistas desse processo ocasionado pelo envelhecimento.

Sendo assim, a ABRAz deseja a todos vocês um excelente final de ano, e um maravilhoso 2020! Repleto de muita sensibilidade, compaixão e proximidade entre todos!

Rodrigo Rizek Schultz
Neurologista e Presidente da Associação Brasileira de Alzheimer (ABRAz)

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