Demência, senilidade, doença de Alzheimer – é tudo igual?

“Não sei se é Alzheimer”, “Pode ser que seja Alzheimer ou senilidade”

É possível separar essas coisas? Qual a relação entre elas? Antes de mais nada é preciso definir os termos. Alguns são claramente pejorativos, como “caduquice”; outros são inadequados, como “esclerose”. “Esclerose” vem do grego, “escleros”, que significa endurecimento. As artérias cerebrais ficam rígidas, diminuindo o fluxo de sangue para o cérebro, que por pouca oxigenação atrofia; “senilidade” também é inadequada porque pode sugerir que o envelhecimento implica em doença. Neste sentido a palavra mais correta é “demência”.

Demência é uma alteração progressiva, em geral com dificuldade de memória, mas que pode também começar por progressiva alteração da linguagem, capacidade de planejamento ou outros domínios. Para que seja considerada como demência são necessárias duas coisas: que seja progressiva e que tenha impacto no dia a dia, isto é, que a pessoa acometida não consiga, ou só consiga com dificuldade fazer suas atividades habituais. Demência é um termo geral para pessoas com estas condições, e a mais comum de todas é a doença de Alzheimer. Toda pessoa com doença de Alzheimer tem demência, mas nem toda pessoa com demência tem doença de Alzheimer. Senilidade é um termo confuso que não deveria ser usado, por implicar em uma visão sobre o envelhecimento que não corresponde à realidade

 

Dr. Paulo Bertolucci
Professor titular – disciplina de Neurologia – Escola Paulista de Medicina/ UNIFESP

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