ONDE VIVER A VELHICE?

Como em todas as fases da vida, a terceira idade  tem suas peculiaridades e uma das mais marcantes é a heterogeneidade. Quanto mais anos de vida, mais as pessoas se diferenciam, tanto na biológica como nas demais dimensões.

Desenvolver projetos que visam acolher pessoas idosas é um grande desafio, porque elas têm histórias pessoais, familiares, sociais e profissionais evidentemente particulares. Sendo esta fase a mais longa da vida, trata-se de uma etapa que merece ser vivida em toda sua plenitude. E qual seria o local mais adequado para se estabelecer neste período tão especial? Como? E na companhia de quem?

Independentemente das condições físicas e comportamentais individuais, a princípio, este período  deveria ser desfrutado no ambiente familiar, junto às pessoas com as quais o idoso sempre se relacionou. Viver em instituições para idosos, na companhia de pessoas desconhecidas, com regras institucionais, parece carecer de afetividade e aconchego. Será?

Diferentes pacientes com Alzheimer, por exemplo, que se encontram na mesma fase da doença, podem apresentar comportamentos distintos. Há que se contar com espaços físicos, equipe assistencial, filosofia institucional e rotinas operacionais que possibilitem respeitar as diversas biografias e necessidades, e boa parte das vezes o melhor lugar para isso é uma instituição especializada.

O melhor local para viver a velhice é aquele em que se valoriza a história de cada pessoa, atendendo às suas demandas de forma personalizada, buscando a melhor funcionalidade possível e a cada momento, seja na própria casa ou em local que disponibilize equipe de profissionais capacitados.

José Mário Tupiná Machado

Médico especialista em Geriatria pela SBGG
Doutor em Gerontologia
Presidente da ABRAz PR
Coordenador da equipe multidisciplinar do Asilo São Vicente de Paulo em Curitiba

Revisão jornalística:
Rebecca Melo DRT (1349/SE)

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