A dor no paciente com doença de Alzheimer e outras demências

A dor é uma sensação desagradável e subjetiva sendo, por definição, diferente de uma pessoa para outra, em características como quanto a sua forma e intensidade. Por instrumento ou exame, não existe uma forma de se mensurar a dor. Para saber se uma dor é forte ou fraca precisamos que o paciente a descreva. A situação, portanto, torna-se mais difícil quando estamos tratando de um paciente com dificuldade de falar ou de explicar o que sente, como é o caso da pessoa em alguns dos estágios da doença de Alzheimer.

Os indivíduos com diagnóstico prévio de síndromes dolorosas, como fibromialgia, artrose, feridas ou neuropatia, devem contar com um esquema analgésico bem definido pelo médico. Se o paciente apresenta agitação sem explicação, a dor é uma hipótese a ser considerada, devendo a equipe de saúde buscar causas ou sinais de dor.

Alguns dos sinais indiretos de dor podem ser identificados: careta, cara de bravo, dentes cerrados, olhos fechados, hesitação para se movimentar e impaciência. Crises de raiva também podem ser indicativas de dor, expressadas em tentativas de gritar, bater ou morder. Muitas vezes, o paciente chama, pede ajuda, bate palmas ou apenas geme. E entre os sinais físicos estão a respiração rápida, o coração acelerado, a elevação brusca da pressão ou a sudorese.

O tratamento da dor depende da identificação de sua etiologia. O arsenal terapêutico é vasto e o médico deve levar em consideração a causa, os efeitos colaterais e, principalmente, a cognição. Terapias complementares como acupuntura ou fisioterapia são potentes ferramentas contra a dor.

Lembre-se sempre: o paciente com demência não vai esquecer-se da dor. Ele apenas vai reagir de forma diferente da habitual para expressá-la. É preciso estar atento aos sinais.

Dra Cybelle Maria Diniz Azeredo Costa | CRM: 81.141

Médica especialista em Geriatria e Gerontologia (SBGG/AMB) da Disciplina de Geriatria e Gerontologia da UNIFESP
Mestre em Ciências da Saúde pela Disciplina de Neurologia UNIFESP

Revisão jornalística:
Rebecca Melo DRT (1349/SE)

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