Alzheimer: pouco diagnosticado e pouquíssimo tratado

“O diagnóstico de Demência da Doença de Alzheimer (DDA) ainda corresponde a uma pequena porcentagem dos casos e, geralmente, é feito tardiamente. É muito importante o diagnóstico precoce. A qualquer sinal de déficit de memória significativo, os familiares devem levar o paciente a um médico especialista para uma avaliação rigorosa.

Os tratamentos medicamentosos atuais são sintomáticos, mas devem ser usados em todos os pacientes com DDA, e em doses terapêuticas. Eles não tratam a doença neuropatológica (no cérebro), mas ajudam a impedir que a perda da memória evolua mais rapidamente.

Ainda assim, mesmo que a maioria dos medicamentos esteja disponível para fornecimento gratuito nas farmácias de alto custo, sabe-se que apenas uma pequena parcela dos pacientes com diagnóstico faz uso regular, e, por vezes, em doses muito baixas. Logo, recomendamos: diagnóstico mais ágil e precoce, uso dos remédios certos e em doses suficientes para controlar o avanço da doença.

O tratamento não medicamentoso (como psicoeducação, psicoterapia, terapia ocupacional, fisioterapia e atividade física) também é eficaz. São formas de acompanhamento que devem ser vistas como remédios, mesmo não sendo em comprimidos.

Por exemplo, quanto mais a família tem conhecimento sobre a doença, melhor o paciente fica e mais favorável é a sua evolução. Por isso, é tão importante que todos os familiares e cuidadores de pacientes com DDA procurem a Associação Brasileira de Alzheimer (ABRAz) de sua cidade e participem dos encontros, que são gratuitos e abertos ao público.”

Dr. Tibor Perroco

Médico Psicogeriatra & Psiquiatra
Doutor em Ciências pelo Dep. de Psiquiatria do IPq / HC-FMUSP
Médico Supervisor e Pesquisador do PROTER e assistente do CEREDIC do HC-FMUSP
Presidente da Associação Brasileira de Neuropsiquiatria Geriátrica (ABNPG).

Revisão jornalística:
Rebecca Melo DRT (1349/SE)

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