História de Vida de Irami

Vida de solteiro de Irami:

  • Nascimento: 1940 em Correntes – PE. Infância normal até 1952, quando entrou para o Seminário em Garanhuns. Lá aprendeu a amar a Deus, a Nossa Senhora e aos irmãos; .aprendeu sobre religião e fé, disciplina e partilha, e alguns idiomas: latim, italiano, inglês e francês. Desenvolveu o amor por toda expressão artística, especialmente: música, pintura, literatura.
  • Na década de 60, já em Recife, ele conheceu o Ideal de Chiara Lubich, ficou deslumbrado e largou tudo para segui-la. Foi para Itália e lá ficou por alguns anos, viajando pela Europa, em missão. Chiara Lubich propunha um estilo de vida radicalmente pautado no Evangelho, na partilha de bens e de dons, para construir um mundo mais unido e assim realizar o testamento de Jesus: Que todos sejam UM.
  • Toda esta vivência fundamentou, norteou e norteia sua vida pessoal e profissional.

Minha vida de solteira:

  • Nasci em 1948, em Recife – PE e tive uma vida tranquila, estudando em colégio de freiras e vivendo todas fases de minha vida sem problemas, até 1968 quando, no prazo de um ano, perdi mãe e pai. Estava entrando na universidade e comecei a lutar pela vida através de minha profissão: educadora.
  • A partir deste acontecimento, passei a construir uma forte e profunda relação com Deus e Nossa Senhora, pois passei a acreditar que Eles assumiriam minha vida. Já que tinham me tirado os pais, Eles cuidariam de mim. E assim vem acontecendo. Fui morar com uma irmã, onde concluí o curso de Pedagogia, enquanto dava aulas para me manter e ajudar nas despesas da casa.
  • Tudo isso me tornou independente, reservada, desconfiada e totalmente confiante no amor de Deus Pai. Logo eu estava ensinando na UFPE e sendo enviada para o Rio para cursar o mestrado.

Encontro e mudança de vida:

  • Em 1982, eu era professora na PUC-Rio, Irami era editor responsável por livros infantis na Ed.Ática –SP. Ambos felizes, realizados profissionalmente, querendo encontrar alguém para partilhar a vida, mas…morrendo de medo de se envolver.
  • Tive uma hepatite grave e uma amiga enfermeira, veio cuidar de mim, e um sobrinho veio visitá-la. Nem prestei atenção nele pois estava muito mal, mas…ele prestou atenção em mim. E daí começou a mudança de vida.
  • Casamos em abril de 1983 e começamos uma nova vida!
  • Construímos uma casa na Granja Viana – SP onde recebemos amigos, fizemos vários encontros, festas e começamos um hobby lindo com flores naturais prensadas, fizemos diversas exposições.
  • Viajamos várias vezes pelo Brasil e para a Europa, pois sempre gostamos de conhecer o mundo. Moramos ali por 14 anos. Estava na hora de nova mudança.

Envelhecer com qualidade de vida – mudança para Indaiatuba

  • Continuamos a trabalhar em SP por alguns anos, continuamos o nosso trabalho com flores prensadas e construímos boas amizades.
  • Construímos a Casa do Vale, como todos chamavam. Foi outro ponto de encontro: festas, eventos, celebrações e muitas exposições.
  • Quando Irami ia para as feiras de livros na Europa eu o acompanhava e dávamos um giro, para rever amigos e conhecer novos lugares.
  • Numa dessas viagens, conheci Chiara Lubich, seu Ideal e o estilo de vida baseado no Evangelho. E isto transformou e aprofundou o nosso relacionamento. O que era “marido e mulher” transformou-se em UM. Muito companheirismo, muita hospitalidade, muito trabalho: ele nas traduções dos livros escritos por Chiara, eu na área de educação.
  • Aí chegou 2013 e uma nova mudança seria pedida a mim. Irami começava com sintomas de um Comprometimento Cognitivo Leve.

Susto, medo, preocupação…AÇÃO!!!

A vida transcorreu normalmente, até 2015 quando o diagnóstico de DA foi confirmado!

O SUSTO foi enorme! Como podia ser? Como uma pessoa tão culta, que falava várias línguas, que sempre viajou, que sempre foi sociável, que sempre gostou de receber e partilhar…está com DA? FOI DIFICIL ACREDITAR, FOI DIFICIL ACEITAR!

Depois veio o MEDO… De não saber cuidar, de passar por constrangimento, de ele se perder, dos amigos se afastarem, de errar ou esquecer os remédios, de não ter dinheiro para dar toda a assistência necessária, de eu adoecer…e por aí vai.

Aí a grande PREOCUPAÇÃO era: o que fazer? Com quem conversar? Que orientação seguir? Falo ou não falo para as pessoas? O que vai acontecer conosco? E se eu faltar, quem assume? Como ele reagirá?

Posso esconder, disfarçar e me isolar ou posso “escancarar” para todos.

AÇÃO E DEVOÇÃO

Aí entrei em ação, escancarei, me expus e pedi ajuda:

1.Aos profissionais de saúde: fui participar de um grupo de apoio para aprender sobre a doença e como ser uma cuidadora familiar. Passei a dar os medicamentos certinho, conforme a doutora orientou. E entrei em contato com a Terapeuta Ocupacional, a Fisioterapeuta e até uma Nutricionista. Todos me deram orientações preciosas.

2.Aos familiares: falei do diagnóstico, das providências tomadas e combinamos manter contato constante para atualização de tudo.

3.Aos amigos, lojistas, porteiros, vizinhos, expliquei sobre a doença e pedi ajuda a cada um, dentro de suas possibilidades e limites, esclarecendo o que poderia acontecer, que comportamentos ele poderia ter.

4.E REZEI! Rezei muito e continuo rezando pedindo paciência, serenidade, gratidão e alegria de estarmos vivos e saudáveis.

Como é nosso dia-a-dia:

  • Sigo uma ROTINA rigorosa:
  • 1.café às 7:30 hs, com alimentação balanceada e os remédios, ele cochila ou repousa até as 10 hs e eu cuido da casa,
  • 2.Depois ele faz alguma atividade: varre a casa, põe água nas plantas, lê, vê TV, vai a fisioterapia ou ao pilates, fazemos compra etc…
  • 3.Às 11 hs preparamos o almoço juntos, ao som de músicas variadas para alegrar e estimular o cérebro: eu cuido das panelas, ele cuida das verduras e de arrumar a mesa.
  • 4. Por volta do meio dia, almoçamos e depois cochilamos.
  • 5. Aí é hora do passeio, que pode ser uma volta a pé ou de carro, uma visita, uma ida ao supermercado ou à farmácia.
  1. A partir das 18 hs, rezamos ou assistimos TV, vemos o noticiário, jantamos, tomamos os remédios da noite, vemos um filme e vamos dormir.
  • Se esta rotina é alterada, nós sofremos pois ele fica agitado, confuso, dorme mal e come compulsivamente. E eu fico muito cansada pois tenho que supervisionar tudo o que ele faz. Quando sei que algo vai mudar, aviso várias vezes ao dia, nos preparamos e tocamos a vida. E assim a vida nos traz surpresas!

Surpresa…viagem à vista !!!

  • A primeira viagem a Recife foi uma prova de fogo de que eu estava sabendo lidar bem com a DA e poderia voltar a ser feliz.
  • Precisei de coragem, muitas orações para superar os medos e muito planejamento para dar tudo certo.
  • Mas valeu a pena! Aproveitamos bastante, passeamos, nos divertimos e tivemos a emoção de voltar às suas origens e ele LEMBRAR de locais, de casas, de perfumes, de espaços públicos.
  • Foi emocionante, empolgante, desafiador e vitorioso.
  • A partir daí já viajamos mais 3 vezes e vamos viajar novamente em poucos dias.
  • É planejar, organizar, confiar, enfrentar o medo e aproveitar!!!

Dá para ser feliz!!!

  • APESAR DE TUDO ISSO, SOU GRATA A DEUS POIS TENHO UMA VIDA TRANQUILA, AMO-O DEMAIS, ME EMOCIONO COM AS PEQUENAS DEMOSNTRAÇÕES DE AMOR DELE POR MIM, RESPEITO SUAS LIMITAÇÕES E LHE DOU TODO MEU APOIO ATRAVÉS DOS VÁRIOS PEQUENOS ATOS DE AMOR QUE PERMEIAM NOSSA VIDA.
  • Enfim…somos felizes… por incrível que pareça!!!!
  • Podemos curtir a vida sozinhos, ou acompanhados de familiares e amigos, nos emocionar, nos alegrar, dar risadas de nossas limitações, tomar um bom vinho, receber e visitar amigos…tocar a vida até quando Deus quiser!!!

 

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