O impacto da pandemia do coronavírus nos cuidadores de pacientes com Doença de Alzheimer

O cuidador é a pessoa mais importante na vida de um portador de demência. Esse cuidador será o elo de ligação do doente com a vida, e a figura principal entre o médico e o paciente. O cuidador terá que ter a sensibilidade para “sentir” pelo doente: frio, calor, fome, desconforto, sono, dor, o momento de atender suas necessidades fisiológicas. Ter a percepção para dizer o que ele “quer ouvir”.

A sobrecarga diante do cuidado do idoso com demência pode ir além dos limites suportáveis pela pessoa que cuida e acabar gerando conflitos e desagregações na estrutura familiar. Em muitos casos, isso ocasiona o risco de institucionalização deste idoso.

A situação atual que vivemos, devido à pandemia do COVID-19, gera ansiedade e medo entre as pessoas, vindo, certamente, a se somar ao estresse do cuidador do paciente com Doença de Alzheimer. Esse estresse tem impacto sobre o doente, que é muito sensível ao estado emocional do cuidador – a pessoa mais importante para o enfermo.

O isolamento social exigido, com restrição às visitas, leva à falta de relacionamento social, ou interação com pessoas. Além disso, o próprio cuidado para evitar a contaminação, que faz o cuidador a se apresentar com o uso de máscara e avental, pode “assustar” o paciente, gerando ainda mais estresse para o cuidador, diante do medo de contaminar a pessoa cuidada. O cuidador, que já precisa prover os cuidados básicos de sobrevivência, agora recebe mais esta carga.

Ao paciente demenciado é possível um viver sem a cura, mas não é possível viver sem o cuidado. Assim, o cuidador, neste momento delicado, deve ser orientado quanto às medidas preventivas de contaminação, tanto ao paciente quanto a si próprio. Assim, conseguiremos diminuir um pouco mais essa carga do cuidador, que precisa estar bem consigo para conseguir auxiliar e dar carinho ao paciente demenciado.

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Dr. João Senger

Médico Geriatra

Revisão jornalística:
Voluntária Rebecca Melo DRT (1349/SE)

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