Avanços na medicina e o papel do acolhimento familiar no cenário nacional
A Associação Brasileira de Alzheimer se consolida como o principal ponto de apoio para famílias que enfrentam a jornada da doença. Segundo a Dra. Celene Pinheiro, geriatra e presidente nacional da instituição, levar informação de qualidade à população é a prioridade absoluta da entidade.
O trabalho institucional busca humanizar a compreensão da patologia e oferecer suporte técnico e emocional. O conhecimento atualizado permite que cuidadores e pacientes encontrem caminhos mais dignos para o tratamento e a convivência diária.
A compreensão sobre a patologia mudou drasticamente nas últimas décadas. O neurologista Ricardo Nitrini explica que antigamente se dividia o diagnóstico entre doença de Alzheimer para pessoas jovens e demência senil para casos que surgiam em idades mais avançadas.
“Antigamente a gente dividia em doença de Alzheimer, que acontecia em pessoas mais jovens até 70 anos e demência senil que acontecia mais tarde. Hoje se englobou tudo com o nome de doença de Alzheimer”, afirma o médico sobre a unificação do termo.
O pesquisador Eduardo Zimmer reforça que as evidências científicas são muito promissoras tanto para o tratamento quanto para o diagnóstico precoce. Ele destaca que vivemos uma era de precisão com fármacos capazes de remover as proteínas que prejudicam o cérebro.
O Dr. Wyllians V. Borelli alerta que esquecimentos que impactam a rotina, como atrasos ou perda de reuniões, devem chamar a atenção. Ele pontua que 70% das demências no mundo são causadas pelo Alzheimer, enquanto os outros 30% englobam tipos como a vascular e a frontotemporal.
O cenário nacional é preocupante, pois 80% dos casos de demência no Brasil ainda seguem sem diagnóstico formal. A falta de escolaridade aparece como o principal fator de risco no país, superando outros indicadores que são mais comuns em nações do hemisfério norte.
Estatísticas indicam que o número de casos pode triplicar em apenas 20 anos no território brasileiro. Diante disso, a Dra. Celene Pinheiro reitera que o acesso ao conhecimento é a ferramenta mais eficaz para mudar essa realidade.
Embora já existam diagnósticos por exame de sangue, o uso clínico atual é restrito aos pacientes que já apresentam sintomas. A ciência avança para que esses métodos se tornem mais acessíveis.
O trabalho da ABRAz é sustentado por uma rede de voluntários e grupos de apoio espalhados por todo o território. Eliana Faria, presidente da regional Rio de Janeiro, coordena essas frentes de acolhimento que transformam a experiência das famílias.
Para a Dra. Celene Pinheiro, esses espaços são fundamentais para o bem-estar de quem cuida. “Ali é o lugar que o cuidador tem lugar de fala”, define a presidente sobre a dinâmica das reuniões de orientação e troca.
O cuidador Marcos Vergani relata que o suporte da associação é excepcional para enfrentar os desafios cotidianos. “A gente tem contato com outros cuidadores também, que estão na mesma situação que a gente; a gente não está sozinho”, afirma.
O Dr. Wyllians V. Borelli complementa que o tratamento deve ser humanizado e focado na autonomia. Ele defende que a atividade física é o pilar central do tratamento e alerta que nunca se deve infantilizar o paciente, pois isso o torna mais vulnerável.
As perspectivas para os próximos anos são de esperança e inovação científica. O Dr. Ricardo Nitrini vislumbra um avanço no conhecimento que permitirá não apenas deter a progressão da doença, mas possivelmente influenciar o próprio processo de envelhecimento.
A entrada em uma era de diagnóstico preciso e fármacos mais eficientes sinaliza um novo horizonte para a medicina.
A ABRAz permanece à disposição para orientar famílias e cuidadores em todas as etapas da jornada da doença de Alzheimer.
Este conteúdo é baseado no 1º episódio da 2ª Temporada da série Tempo Rei, da GloboNews. Para assistir ao episódio completo acesse o Globoplay. O conteúdo exclusivo para assinantes da plataforma.